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Amor próprio.

por marilynrosecollins, em 28.07.13

A chuva bate contra a minha janela. De minuto a minuto consigo ouvir um trovão. Dirigo-me à minha janela e fico a observar as gotas de água a passear por o meu vidro. Lembro-me de quando viajava de carro e ficava a observar qual era a gota mais rápida. Um clarão ilumina o céu negro e um sorriso espalha-se por o meu rosto. Adoro a chuva. Adoro o seu cheiro. Adoro pensar acompanhada do som que esta faz. Um som tranquilizador, terapêutico. Um som que suaviza o meu ser, os meus pensamentos perturbadores.

O meu telemóvel vibra em cima da cama. Ignoro. Não quero falar com ninguém. Acabo por pegar no telemóvel e este mostra-me a tua fotografia. O meu coração acelera como um louco. As borboletas voam por a minha barriga trazendo-me a recordação de como é estar apaixonada. Na fotografia estás a sorrir mostrando esses teus lindos dentes brancos. Sempre adorei o teu sorriso. Na fotografia estás feliz. Lembro-me onde te tirei esta fotografia. Foi na época em que nada nos derrubava. Foi na altura em que tudo era cor-de-rosa.

Atendo.

– Sim? – Digo.

– Podemos falar? – A tua voz continuava igual. O mesmo tom rouco e grave.

– Desculpa? Não temos nada para falar.

– Desculpa, está bem? Eu sei que errei contigo. Dá-me mais uma oportunidade de te mostrar que estou mudado. – Parecias sincero.

O silencio instalou-se entre nós até que respirei fundo, engoli em seco e disse:

– Achas que podes fazer aquilo que bem te apetece, não é? Sempre foi assim. Saiste da minha vida à dois anos. Dois anos! Agora ligas-me e para te dar uma oportunidade?

– Era uma criança, não sabia aquilo que queria. Mas agora sei. Quero-te a ti. – Disseste-me em voz baixa. 

– Pois, mas eu não te quero a ti.

E desliguei.

As lágrimas rolaram por a minha cara e tive de chora-las todas de uma vez. Tinha de me libertar daquele nó que se instalava na minha garganta e mal me deixava respirar.

Como é que és capaz de me fazer uma coisa destas? Depois do tempo que demorei a tirar-te da minha cabeça e do meu coração... Desapareceste da minha vida sem me dizer um adeus e agora queres que te aceite de braços abertos? És tão inguenuo...

Recebi uma mensagem. Abri-a.

"Ainda me amas. Eu sei."

Amava, claro que amava. Não se esquece o amor das nossas vidas. Mas antes de te amar a ti, amava-me a mim. E esse amor deve estar a cima tudo o resto.

Ganhei coragem e respondi:

"Sim, ainda te amo."

Uma resposta curta e cheia de sentimento. A realidade estava ali escrita. Eu ainda te amava. Amava-te da mesma maneira que tinha amado quando te tinha conhecido à cinco anos atrás. Tinhas-me marcado de todas as maneiras.

Perder-te matou-me por dentro. Sentia-me incompleta. Mas sozinha, consegui encontrar uma saída para aquele sofrimento. Passei a gostar de mim, a cuidar de mim, como era. Então tu passaste para segundo plano, deixando-me a mim em primeiro.

A resposta chegou logo a seguir.

"Então volta para mim."

A proposta era tentadora, de facto. Mas estaria eu pronta para voltar a passar por tudo de novo? Seria eu capaz de deixar que me roubasses todo o amor próprio que sentia por mim?

Respondi:

"Não. Vieste tarde."

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