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Fracos.

por marilynrosecollins, em 27.07.13

Abro os olhos e o quarto está repleto de luz. A luz não é forte. Devem ser apenas 7h da manhã. Olho para o relógio para ter a certeza. Acertei. Passam apenas alguns minutos das 7h. Quero dormir novamente. Fecho os olhos e sinto algo a escorrer para a almofada. São lágrimas. Mas porquê? Sei o motivo, mas não o quero aceitar.
Levanto-me e fecho a janela. Não quero ver a vida lá fora. Quero estar no escuro. Talvez goste tanto da escuridão por um simples motivo, é assim que me sinto, escura, sem luz.
Volto para a cama e adormeço. Acordo e a minha barriga rosna-me. É a fome. Estranhamente, comer é a última coisa que me apetece. Aconchego-me e tento adormecer. Não consigo. Sinto novamente as lágrimas a querem rolar por os meus olhos. Não posso. Não quero. Lágrimas são para fracos. Penso. Tu és fraca. Completo. Não quero ser.
Levanto-me e procuro o meu caderno. Preciso de escrever. Coloco a caneta entre os dedos e as palavras não saem. Porquê? Sinto tanto e não consigo escreve-lo porquê? Sinto-me a cair. É assim que os fracos se sentem. Desisto.
Volto para a cama e adormeço.
Acordo e são 16h da tarde. A casa encontra-se silenciosa. Estou sozinha.
Levanto-me novamente em busca de alguma coisa para comer. Abro o frigorífico e nada me agrada, embora este esteja repleto de coisas que adoro. Fecho-o e começo a chorar. Porquê? Estou fora de mim.
Abro uma das gavetas da cozinha e encontro um maço de cigarros por abrir. Tiro o plástico e retiro um cigarro e vejo-o molhado. As lágrimas não secam, continuam a cair. Sou uma fonte que não seca. Mas porquê?
Acendo o cigarro e sento-me no quintal apenas em pijama. Fumo o cigarro e vejo como este se desfaz em cinzas. O cigarro é parecido comigo. Também eu me estou a desfazer em cinzas.
Sinto arrepios, mas não tenho frio. É o medo. Estou aterrorizada. Aterrorizada e sozinha. Estou sozinha.
Estou sozinha. Sou fraca.
Mas porquê?
O medo consome-me. Consome-me tal como o ar consome o cigarro. A vida ensinou-me a ser fraca. Ensinou-me a ter medo. 
Pego no telemóvel e vejo uma mensagem. Abro-a e nela diz: Não sofras. Sorrio e penso; É tarde de mais.

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