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por marilynrosecollins, em 17.04.14

Momentos, escolhas. São essas duas “coisas” que nos levam pelo caminho da vida. Um caminho tão complexo que necessita de perícia e força para ser enfrentado. É quando as coisas não correm do modo que desejamos que precisamos de mais força.

Foste, deixaste-me aqui sozinha. Não te censuro, foi um momento que te levou a escolher que não me querias na tua vida. Vês como tudo não passa de momentos e escolhas?

Quis que fizesses parte do meu ser, parte da minha vida. Vê o final triste que tivemos… Somos tão compatíveis e tão incompatíveis ao mesmo tempo. Eu já sabia disso.

Eu fiz a escolha de te acolher no meu caloroso coração, tu fizeste a escolha de me fechar a porta na cara.

Quem errou? Alguém terá realmente errado? São escolhas. Não passam de escolhas.

Não fiquei surpreendida com a tua partida. Não posso mentir ao dizer que não fui invadida por uma tristeza torturante que insiste em viver dentro do meu peito, mas sabes de onde vem a força que me faz dar um passo de cada vez para te esquecer e ultrapassar? Vem de dentro! Vem do poder que os meus sonhos têm sobre mim.

Foste um sonho que não consegui alcançar. Fracassei. Mas sabes que mais? Tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Só espero que as escolhas que irei tomar no futuro não me levem a mais um fracasso como tu. Quero alcançar uma vitória.

Dá-me um momento para escolher deixar-te ir do meu coração.

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Lembra-te de mim.

por marilynrosecollins, em 21.02.14

Lembra-te de mim.

Lembra-te de mim com um sorriso.

Lembra-te de mim com carinho.

Lembra-te de mim sem raiva.

Lembra-te de tudo.

Lembra-te da minha boca.

Lembra-te da minha voz.

Lembra-te das minhas mãos.

Lembra-te do meu toque.

Lembra-te da minha respiração débil.

Lembra-te das minhas birras.

Lembra-te dos meus ciúmes como uma piada.

Lembra-te das piadas nada oportunas a rir.

Lembra-te das noites abraçados no escuro.

Lembra-te dos carinhos.

Lembra-te das longas conversas.

Lembra-te do meu coração a bater contra o teu peito.

Lembra-te do meu olhar a penetrar o teu.

Lembra-te de todo a amor que te tentei dar e tu nunca o conseguiste receber.

Lembra-te de mim.

Eu lembro-me de ti.

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Viver

por marilynrosecollins, em 18.12.13

Tenho medo.

Quem me diz que amanhã cá estarei? Pois, ninguém mo pode prometer. Tenho medo de deixar coisas por dizer, que são tantas. Tenho medo de não conseguir fazer tudo aquilo que quero com a minha vida. Tenho medo de que as pessoas que mais amo neste mundo não o saibam. Tenho medo de nunca pedir desculpa a pessoas que merecem o meu pedido de desculpas. Tenho medo de morrer sem saber que algum dia fui verdadeiramente amada. É ridiculo, eu sei. Mas é o meu maior medo.

Quantas vezes quisemos beijar aquela pessoa e não o fazemos por receio? Quantas vezes a palavra "amo-te" estava na ponta da nossa língua e não a deixamos sair por medo? Quantas vezes deixamos que o orgulho se sobreponha a uma grande amizade? Quantas vezes tratamos os nossos pais a baixo de cão? Ás vezes eles nem têm culpa...

São coisas que devíamos repensar e mudar nas nossas vidas. Afinal, devemos tratar bem as pessoas de quem gostamos e devemos fazer as coisas sem medos. Se correr mal, olhem, ao menos tentámos. E não nos vamos sentir mal, porque vamos ter mais coragem do que muitas pessoas no mundo.

É preciso que a morte nos bata à porta para que nos arrependa-mos daquilo que não fizemos ou fizemos? Não. Não quero isso. É por isso que vou viver, viver intensamente. Aproveitar cada minuto da minha vida como se fosse o último, porque afinal de contas, eu não sei quando será o meu último minuto.

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140km

por marilynrosecollins, em 19.11.13

Sigo a 140km na estrada até casa. Fecho os olhos e as minhas fiéis amigas lágrimas estão de volta. Paro o carro na berma da estrada e choro. Não consigo aguentar mais. Choro compulsivamente deixando que os soluços do meu choro ecoem por o carro, sobrepondo-se ao som da música vinda do rádio. A minha mente está confusa. O meu coração destruído. Eu tinha-lhe pedido. Eu tinha-lhe pedido para não me enterrar. Eu pedi-lhe! E ele o que fez? Precisamente o que eu lhe pedi que não fizesse. Pedi-lhe que não me deixasse sozinha comigo mesma. Eu pedi-lhe! Senti-me a morrer quando ele partiu. Senti na minha alma, nos meus ossos e no meu coração que tinha perdido. Senti-me num precepicio no qual estava a descer a pique. Tive medo. Tenho medo!

O meu coração diz-me para não ter. Diz-me que vai correr tudo bem. Quero acreditar. Mas as suas palavras da minha mente não desaparecem. 

" Tenho de ir. Não vou voltar. " 

Destruíste-me. Levaste-me ao fim de uma estrada. Levaste-me ao fim da vida. Acabas-te com o meu infinito. Deixaste-me a sós com os meus demónios. Levas-te tudo contigo. A esperança, o amor, a alegria. E tudo o que deixaste foi tristeza, desilusão e medo.

Enterraste-me viva.

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Amor próprio.

por marilynrosecollins, em 28.07.13

A chuva bate contra a minha janela. De minuto a minuto consigo ouvir um trovão. Dirigo-me à minha janela e fico a observar as gotas de água a passear por o meu vidro. Lembro-me de quando viajava de carro e ficava a observar qual era a gota mais rápida. Um clarão ilumina o céu negro e um sorriso espalha-se por o meu rosto. Adoro a chuva. Adoro o seu cheiro. Adoro pensar acompanhada do som que esta faz. Um som tranquilizador, terapêutico. Um som que suaviza o meu ser, os meus pensamentos perturbadores.

O meu telemóvel vibra em cima da cama. Ignoro. Não quero falar com ninguém. Acabo por pegar no telemóvel e este mostra-me a tua fotografia. O meu coração acelera como um louco. As borboletas voam por a minha barriga trazendo-me a recordação de como é estar apaixonada. Na fotografia estás a sorrir mostrando esses teus lindos dentes brancos. Sempre adorei o teu sorriso. Na fotografia estás feliz. Lembro-me onde te tirei esta fotografia. Foi na época em que nada nos derrubava. Foi na altura em que tudo era cor-de-rosa.

Atendo.

– Sim? – Digo.

– Podemos falar? – A tua voz continuava igual. O mesmo tom rouco e grave.

– Desculpa? Não temos nada para falar.

– Desculpa, está bem? Eu sei que errei contigo. Dá-me mais uma oportunidade de te mostrar que estou mudado. – Parecias sincero.

O silencio instalou-se entre nós até que respirei fundo, engoli em seco e disse:

– Achas que podes fazer aquilo que bem te apetece, não é? Sempre foi assim. Saiste da minha vida à dois anos. Dois anos! Agora ligas-me e para te dar uma oportunidade?

– Era uma criança, não sabia aquilo que queria. Mas agora sei. Quero-te a ti. – Disseste-me em voz baixa. 

– Pois, mas eu não te quero a ti.

E desliguei.

As lágrimas rolaram por a minha cara e tive de chora-las todas de uma vez. Tinha de me libertar daquele nó que se instalava na minha garganta e mal me deixava respirar.

Como é que és capaz de me fazer uma coisa destas? Depois do tempo que demorei a tirar-te da minha cabeça e do meu coração... Desapareceste da minha vida sem me dizer um adeus e agora queres que te aceite de braços abertos? És tão inguenuo...

Recebi uma mensagem. Abri-a.

"Ainda me amas. Eu sei."

Amava, claro que amava. Não se esquece o amor das nossas vidas. Mas antes de te amar a ti, amava-me a mim. E esse amor deve estar a cima tudo o resto.

Ganhei coragem e respondi:

"Sim, ainda te amo."

Uma resposta curta e cheia de sentimento. A realidade estava ali escrita. Eu ainda te amava. Amava-te da mesma maneira que tinha amado quando te tinha conhecido à cinco anos atrás. Tinhas-me marcado de todas as maneiras.

Perder-te matou-me por dentro. Sentia-me incompleta. Mas sozinha, consegui encontrar uma saída para aquele sofrimento. Passei a gostar de mim, a cuidar de mim, como era. Então tu passaste para segundo plano, deixando-me a mim em primeiro.

A resposta chegou logo a seguir.

"Então volta para mim."

A proposta era tentadora, de facto. Mas estaria eu pronta para voltar a passar por tudo de novo? Seria eu capaz de deixar que me roubasses todo o amor próprio que sentia por mim?

Respondi:

"Não. Vieste tarde."

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Demónios.

por marilynrosecollins, em 27.07.13

No meu interior vivem demónios.

Se me olhares bem de perto, irás conseguir ver a partir dos meus olhos o quanto é escura a minha alma. Tenho uma alma ferida. Um coração rasgado. Um interior escuro.

Não sei como dominar toda esta escuridão que se apodera do meu ser. Toda essa frieza que gela as paredes do meu coração e faz de mim uma pessoa sem alma.

Não é por querer.

Não gosto de ser assim.

Preferia ser alguém caloroso, com uma alma pura. Alguém parecido com um anjo. Aqueles seres fascinantes que nos protegem do mal. Mas não sou um anjo, sou um demónio! Sou eu o próprio mal. Sou eu quem te puxa para a escuridão.

Quero agarrar-me à tua alma e torna-la tão negra quanto a minha. Quero tornar-te igual a mim. Quero ter companhia. Sou egoísta. Quero que deixes o mundo dos puros. Quero que sejas um demónio.

Eu sou um demónio. Sou um ser sem coração. Um ser sem alma.

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Fracos.

por marilynrosecollins, em 27.07.13

Abro os olhos e o quarto está repleto de luz. A luz não é forte. Devem ser apenas 7h da manhã. Olho para o relógio para ter a certeza. Acertei. Passam apenas alguns minutos das 7h. Quero dormir novamente. Fecho os olhos e sinto algo a escorrer para a almofada. São lágrimas. Mas porquê? Sei o motivo, mas não o quero aceitar.
Levanto-me e fecho a janela. Não quero ver a vida lá fora. Quero estar no escuro. Talvez goste tanto da escuridão por um simples motivo, é assim que me sinto, escura, sem luz.
Volto para a cama e adormeço. Acordo e a minha barriga rosna-me. É a fome. Estranhamente, comer é a última coisa que me apetece. Aconchego-me e tento adormecer. Não consigo. Sinto novamente as lágrimas a querem rolar por os meus olhos. Não posso. Não quero. Lágrimas são para fracos. Penso. Tu és fraca. Completo. Não quero ser.
Levanto-me e procuro o meu caderno. Preciso de escrever. Coloco a caneta entre os dedos e as palavras não saem. Porquê? Sinto tanto e não consigo escreve-lo porquê? Sinto-me a cair. É assim que os fracos se sentem. Desisto.
Volto para a cama e adormeço.
Acordo e são 16h da tarde. A casa encontra-se silenciosa. Estou sozinha.
Levanto-me novamente em busca de alguma coisa para comer. Abro o frigorífico e nada me agrada, embora este esteja repleto de coisas que adoro. Fecho-o e começo a chorar. Porquê? Estou fora de mim.
Abro uma das gavetas da cozinha e encontro um maço de cigarros por abrir. Tiro o plástico e retiro um cigarro e vejo-o molhado. As lágrimas não secam, continuam a cair. Sou uma fonte que não seca. Mas porquê?
Acendo o cigarro e sento-me no quintal apenas em pijama. Fumo o cigarro e vejo como este se desfaz em cinzas. O cigarro é parecido comigo. Também eu me estou a desfazer em cinzas.
Sinto arrepios, mas não tenho frio. É o medo. Estou aterrorizada. Aterrorizada e sozinha. Estou sozinha.
Estou sozinha. Sou fraca.
Mas porquê?
O medo consome-me. Consome-me tal como o ar consome o cigarro. A vida ensinou-me a ser fraca. Ensinou-me a ter medo. 
Pego no telemóvel e vejo uma mensagem. Abro-a e nela diz: Não sofras. Sorrio e penso; É tarde de mais.

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Saudade.

por marilynrosecollins, em 27.07.13

Estou sentada de baixo da figueira. Os mosquitos atacam a minha pele como se estivessem esfomeados. Odeio mosquitos, mas desta vez não me importo. O cheiro que paira por o ar é o cheiro da tranquilidade, da paz. Cheira-me a relva molhada e a figos. Combinação perfeita. Não sei porque gosto tanto do cheiro dos figos, não gosto de come-los.

Olho para o céu e este está perfeito. O típico céu de fim de tarde. O dia está a terminar e dentro de casa consigo ouvir a minha família a falar. Não consigo entender o que dizem, de facto, não me importa.

Do outro lado da vedação oiço o som da água, e dos miúdos a rir. 

Sinto o rabo molhado, deve ser por a relva ter acabado de ser regada, mas mais uma vez, não me importo. Oiço o portão abrir e é o meu irmão quem entra. Traz às costas uma sombrinha de praia e a toalha pendurada num ombro.

Sorri-me e diz-me:

– Que estás aí a fazer?

– Nada.

O que estava a fazer?! De facto, não estava a fazer nada. Estou apenas a aproveitar o tempo que me resta. Amanhã por esta hora já não estarei aqui.

– Nádia! ­ – Oiço a minha mãe a chamar-me.

– Sim? – Respondo.

– Anda tomar banho.

Finalmente chegou a minha vez.

Levanto-me e calço os meus chinelos de dedo. Abandono o meu lugar preferido no mundo e dirijo-me à porta de entrada, passando por o pátio que já se encontra com a mesa para o jantar. A minha família adora jantar ao ar livre. Eu também.

Entro dentro de casa e tudo o que vejo são objetos de praia. Entro na sala e deparo-me com os mais velhos a ver televisão. A Ana e o Pedro estão sentados num sofá já com o banho tomado e o meu irmão está deitado na minha cama. Está a dar os morangos com açúcar.

– Nuno, estás a encher-me a cama de areia! – Grito-lhe.

O meu irmão limita-se a olhar-me e a rir.

É tão lindo.

– Vais tomar banho? – Pergunta-me.

– Vou. – Respondo-lhe ao colocar-me de joelhos no chão para tirar a roupa que vou vestir nesta noite da minha mala de viagem.

Sinto uma aragem nas costas como se alguém passasse rápido de mais por mim. Olho para a cama e o meu irmão já não está lá.

– Nuno! – Grito.

Tento alcança-lo mas é escusado, é mais rápido que eu.

– Esperas só um bocadinho maninha. – Diz-me ao fechar-me com a porta da casa de banho na cara.

Passo por a cozinha e vejo a minha mãe e a minha madrinha a fazer o jantar. Sento-me numa das cadeiras e fico a observa-las.

– Então o teu irmão roubou-te o lugar? – Pergunta-me a minha madrinha com um sorriso nos lábios.

Encolho os ombros e faço que sim com a cabeça.

Fico ali sentada por uns minutos e o meu irmão finalmente sai da casa de banho. Levanto-me da cadeira com as roupas na mão e passo por ele.

– Estúpido! – Digo-lhe.

Irrita-me tanto. Amo-o tanto.

Entro na casa de banho e o vapor paira no ar.

Dispo o meu macacão novo que se encontra molhado da relva e de seguida o bikini. Sinto a areia na pele. Sinto-a a arranhar-me cada centímetro. Entro na balheira e ligo a água quente. Supostamente. O meu querido irmão acabou com a água quente. Obrigadinho Nuno.

Saio mais rápido do que entrei. Mas estranhamente, soube-me bem.

Visto-me e abro a porta para sair. Não está ninguém dentro de casa. Oiço risos lá de fora. Estão todos no pátio a jantar.

– Chegou a princesa. – Diz-me o meu irmão quando me sento no meu lugar.

Olho-o com um olhar matador e digo-lhe:

– Acabas-te por a água quente, otário.

– Nádia! – Ralha-me a minha mãe.

– É verdade. Chegou depois de mim e ainda me roubou a água quente.

O meu irmão mostra-me a língua e dedica-se a descascar o camarão que tem nas mãos. O meu padrinho faz anos, e como tal, o jantar é um pouco mais elaborado.

As piadas saem fluidamente da boca do meu padrinho e toda a gente se ri. O homem é fantástico, sempre pronto a divertir os outros.

Quando toda a gente acaba de jantar, o meu padrinho dedica-se a fazer-me truques de magia com cartas. Nunca entendi como ele faz aquilo, mas a verdade é que era fascinante.Para mim, tudo o que acontecia naquele sítio era fascinante.

Aquele lugar fascinava-me. As gaivotas logo por a manhã fascinavam-me. O cheiro do pão quente quando acordava fascinava-me. O sabor do café a passar por a minha língua fascinava-me. Oh, o café da minha madrinha… Não há nada igual. De facto, não há dias iguais aos que passei naquele lugar. Acabou-se tudo isso. Mas as recordações são como fotografias que guardo num sítio muito especial, o meu coração.

Bons 14 anos.

Armação de Pêra.

Saudades. 

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